Identidade geográfica
A Ipanema que conheci, aquela que se confunde à minha personalidade, originada no sentimento de coletividade, de pertencimento a um grupo, desde a adolescência até os primeiros sinais de individualização que marcam o fim da juventude, caracterizava-se pela identidade geográfica - e não cultural, ao contrário do que ocorre hoje, ou social, como na geração imediatamente anterior. Não éramos evangélicos, petistas, flamenguistas sequer. E se nem todos éramos surfistas, tínhamos pranchas ou garimpávamos ondas no imperfeito mar baixo de Ipanema, compartilhávamos aquela ideologia que, paradoxalmente, sendo única era mais libertária e menos uniforme do que as múltiplas ofertadas agora. Outra aparente contradição, éramos territorialistas, integrávamos a turma do Chaplin, do Bob's, da Camões, da Gorceix, da Cruzada, conforme denominávamo-nos, adotando os nomes das ruas ou lanchonetes onde nos reuníamos, sem contudo desejarmos submeter os alienígenas aos nossos valores pol...